Deccor deflagra ação contra secretário de Educação e apura esquema em reforma

 

Delegacia Especializada em Combate à Corrupção (Deccor) da Polícia Civil cumpri, na manhã desta terça (23), ordens de busca e apreensão em alguns endereços de empresas ligadas ao secretário municipal de Educação, Alex Vieira Passos – que é um dos alvos. Trata-se da Operação Overlap.

Além dele,  o ex-secretário da pasta, Rafael Cotrin, que deixou o cargo em fevereiro de 2018, também é alvo de ação. Investigações apontam que houve lavagem de dinheiro e que Rafael usou a empresa de Alex para realizar obras.

As ordens de busca e de bloqueio de valores foram decretadas pela 7ª Vara Criminal da Capital e são cumpridas nas cidades de Cuiabá, Várzea Grande e Campo Grande (MS). A operação é coordenada pela delegada da GCCO, Juliana Chiquito Palhares e o delegado da Deccor, Luiz Henrique Damasceno, responsáveis pelas representações das medidas, conta com a participação de nove delegados de Polícia, 40 investigadores e dez escrivães.

Alex Vieira Passos
Operação investiga ligação de secretário de Educação de Cuiabá Alex Vieira com esquema de lavagem de dinheiro e uso de empresas para realizar obras

O inquérito foi iniciado após informações de que em 2017, o então secretário municipal de Educação teria recebido valores indevidos por meio de suas empresas, sendo posteriormente detectado se tratar de empresas ligadas diretamente ao atual secretário no cargo.

Analistas identificaram que uma empresa contratada no ano de 2017 para a reforma da creche CMEI – Joana Mont Serrat Spindola Silva, localizada no bairro CPA III, em Cuiabá, teria como real proprietário o atual secretário municipal de Educação, que foi o ordenador de despesas responsável por determinar a maior parte dos pagamentos relacionados ao contrato (178/2017).

De acordo com as investigações, o contrato nº 178/2017 teria por objetivo concluir a obra iniciada por meio do contrato nº 5979/2012, porém durante as análises, de imediato, foi detectado provável duplicidade de itens licitados. Os valores chegam à monta de R$ 249.451,00 em custos executados no contrato 178/2017, que já constavam como executados no contrato 5979/2012, porém foram executados novamente de forma integral ou parcial.

Em análise das informações, se somados o valor do contrato nº 5979/2012 (R$ 1.208.321,93), com o valor pago no contrato nº178/2017 (R$1.096.248,81), chega-se ao valor total de R$ 2.304.570,74, para uma obra que tinha como custo inicial R$ 1.432.300,00, ou seja, uma diferença de R$ 872.270,74, superando em pouco mais de 60% do valor inicialmente licitado em 2012.

Os investigadores buscam, agora, localizar novos elementos que vinculem os suspeitos às empresas, bem como documentos que indiquem a prática de atos ilícitos antecedentes à lavagem de capitais, vez que restou identificado movimentação suspeita de R$ 1 milhão.

As investigações indicam o cometimento dos crimes de peculato, lavagem de dinheiro e advocacia administrativa, cujas penas somadas ultrapassam os 20 anos de reclusão. Para os delegados titulares das unidades envolvidas, Eduardo Augusto de Paula Botelho e Flávio Henrique Stringueta, a ação conjunta reforça o sentimento de unidade da Polícia Civil no combate à criminalidade.

A operação contou com o apoio da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) e da Polícia Civil do Mato Grosso do Sul, por meio do Grupo Armado de Repressão a Roubos a Banco e Resgate a Assaltos (Garras). O nome Overlap indica a sobreposição de itens licitados, pois as investigações apontaram duplicidade nas licitações identificadas, fazendo com que o município pagasse duas vezes pelo mesmo serviço.

 

 

 

 

Fonte: https://www.rdnews.com.br/policia/deccor-deflagra-acao-contra-secretario-de-educacao-e-apura-esquema-em-reforma/129857

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