“Eles não entenderam o óbvio e falaram besteira; fiquei irritado”

O governado de Mato Grosso, Mauro Mendes (DEM), teceu duras críticas aos deputados que votaram contrários ao projeto de lei complementar que concede aumento de gratificação para servidores efetivos do Estado que ocupam cargos de confiança.

O projeto foi aprovado pela Assembleia Legislativa na semana passada, após duas sessões conturbadas. Na prática, o texto eleva o salário dos servidores de carreira que vierem a ocupar cargos de chefia no Executivo.

“Eles [deputados] não foram capazes de entender o óbvio. Eu fiquei tão irritado na semana passada com tanta besteira sendo dita, por tantas pessoas, que falei: ‘Deixa falar, vamos aprovar, depois a gente explica’”, afirmou o governador nesta terça-feira (19).

O projeto alcançou o número mínimo para aprovação após o voto “minerva” do presidente da Casa, Eduardo Botelho (DEM).

Foram contrários ao projeto os deputados Delegado Claudinei Lopes (PSL), Eugênio de Paiva (PSB), Doutor João (MDB), Elizeu Nascimento (DC), Ludio Cabral (PT), Silvio Fávero (PSL), Thiago Silva (MDB), Ulysses Moraes (PSL), Valdir Barranco (PT), Carlos Avallone (PSBD) e Xuxu Dal’Molin (PSC).

A mensagem 50 faz ajustes na administração pública e eu como administrador preciso remunerar os profissionais dentro do Governo, para evitar trazer de fora, inclusive

O parlamentar Ulysses Moraes – que fez críticas mais duras durante a votação da chamada “mensagem 50” – chegou a afirmar que o projeto traria custos aos cofres do Executivo.

Mendes, no entanto, afirmou que o projeto trará economicidade à folha de pagamento.

“Ele é desrespeitoso, não fala com respeito, não lê e não procura entender. A mensagem 50 faz ajustes na administração pública e eu como administrador preciso remunerar os profissionais dentro do Governo, para evitar trazer de fora, inclusive”, dfendeu.

“Servidor de carreira assumindo cargo de confiança traz benefícios, economia para o Estado de Mato Grosso. Não é possível não enxergar que contratar um servidor público de carreira, pagar um percentual digno para que ele exerça essa função de confiança, é mais barato que trazer alguém de fora”, completou o governador.

Cargos mais atrativos

Atualmente, um servidor de carreira que ocupa um cargo de secretário de Estado, por exemplo, recebe o seu salário e mais 35% de gratificação sobre o valor da DGA-1 – que é R$ 18,2 mil.

Com a sanção do projeto, essa gratificação passará a ser de 70% sobre o valor do DGA. Ou seja, a gratificação que era de R$ 6,3 mil passa a ser de R$ 12,7 mil. O mesmo ocorre com outros DGAs, cujo valor da gratificação poderá subir para até 90%.

Para Mendes, o aumento na gratificação ocorre para tornar os cargos de chefia mais atrativos aos servidores efetivos.

“Gente de fora, que não tem compromisso com a administração pública, vem para ganhar algo incompatível [menor] com a função e isso acabou resumindo em corrupção, desvio ético e tantas outras histórias que o passado nos conta”, disse Mauro.

“Eu estou fazendo ajuste para melhorar a máquina pública e está aí: um ano e 4 meses com novo Governo, no mesmo Mato Grosso”, completou.

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