Prefeito vê CPI como “politicagem” e cobra maturidade da oposição em Cuiabá

“É lógico que é politicagem. Esses recursos ainda nem foram gastos direito. E eles serão fiscalizados pelo Tribunal Contas ou pelo Ministério Público. Pelo amor de Deus!”, disse o prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) na manhã desta segunda-feira (18), ao comentar a proposta de abertura de CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) feita pelo vereador Abílio Junior (Podemos).

A justificativa para abertura da CPI dada por Abilinho e seu grupo é apurar as dispensas de licitação, acréscimos de despesas, ações e contratos firmados pela Prefeitura de Cuiabá durante a pandemia da Covid-19. O vereador foi reempossado devido a uma liminar da justiça que suspendeu a cassação de seu mandato por falta de decoro.

Toda a bancada de oposição ao Palácio Alencastro já assinou o requerimento:  Dilemário Alencar (Podemos), Diego Guimarães (Cidadania), Felipe Wellaton (Cidadania), Clebinho Borges (PSD), Lilo Pinheiro (PDT), Marcelo Bussiki (DEM), Vinicyus Hugueney (Solidariedade), sargento Joelson (Solidariedade) e Wilson Kero Kero (Podemos).

A principal acusação de Abílio é em torno dos R$ 23 milhões já recebidos pela capital, vindos do Governo Federal, e que se somam ao repasse de outros R$ 2 milhões do duodécimo da Câmara Municipal.

“Contudo, até o presente momento o prefeito não apresentou à sociedade nenhum novo leito de UTI, não apresentou compra de respiradores e não apresentou em portal da transparência onde teria sido gasto este valor do Governo Federal”, afirmou.

Ele sempre acusou o prefeito de manobrar para impedi-lo devido à oposição exercida por ele no legislativo municipal e às acusações constantes de participação em esquemas de corrupção desde os tempos em que Emanuel era deputado estadual, lembrando constantemente a gravação do episódio do dinheiro caindo do paletó do hoje prefeito, dentro do gabinete do ex-assessor do então governador Silval Barbosa.

“Pelo amor de Deus. Eu quero união de todos. Tem gente morrendo, tem gente sofrendo. Estamos em uma pandemia. Controle tem que ter o tempo todo, não só para esse recurso, mas para todos os recursos. É hora de união, não de politica. A oposição faz parte, mas vamos nos unir. Nunca a cidade precisou tanto da união de todos e da maturidade das forças políticas em defesa de um bem comum”, continuou o prefeito à Rádio Vila Real, reforçando a atuação e o “pleno funcionamento independente” dos órgãos de controle.

Para Abílio, no entanto, tem algo muito errado no contrato firmado, com dispensa de processo licitatório, no valor de R$ 840 mil para uma empresa fazer desinfecção nos condomínios com a utilização de drones e na contratação de empresa de caminhões-pipa para fazer as higienizações e desinfecções de áreas públicas.

“O mesmo não se encontra no portal transparência e pouco se sabe da execução e custo do serviço, sendo assim, se faz necessário investigar”, observou Abílio Junior, que também colocou sob suspeita os números de casos e mortes da Covid-19 em Cuiabá, pois, diz ele, Prefeitura e Governo do Estado passam números diferentes.

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