Pescador denuncia: irregularidades da carteira profissional, da piracema, pesca predatória e omissão do Estado

Da Redação

Com o final do período da piracema nos Rios de Mato Grosso, alguns pescadores profissionais e amadores estão abusando na quantidade do pescado.
Segundo informações de um pescador profissional, que nas horas vagas trabalha como guia (pirangueiro) para turistas e que fez a denúncia, a falta de conscientização, fiscalização, punição para os infratores e a cultura do pesque e solte, está prejudicando em muito, a preservação dos peixes.

“Nós trabalhamos com muitos profissionais, mas existem pessoas que só tem a carteira de profissional para vender cota e receber seguro defeso, suponhamos que cada pescador profissional tem uma conta de 100kg de pintado por dia, e não pesca, ele simplesmente vende a sua cota, isso tem que ser fiscalizado”, denunciou um profissional que vive da pesca e pediu para não ser identificado.

Para este profissional, pesque e solte e acota zero deveria ser implanto nos Rios de Mato Grosso, pelo menos por cinco anos, do contrário, em menos de dez anos, não terá mais peixes nos rios do estado, nem para esporte e muito menos para consumo, e que muitas espécies como pintado, cachara e pacu serão lembrados apenas em peças de museu.

“Tem muita coisa errada, desde o período da piracema, algumas espécies quando são capturadas, ainda apresentam ovas, ou seja, não completaram o período de reprodução, e quanto aos tamanhos permitidos para serem pescados, na sua maioria, é permitido a pesca de exemplares quando começam a vida reprodutiva, ou seja, quando o peixe atinge o tamanho permitido é quando ele começa a reproduzir, com isso estão matando os machos reprodutores e a matrizes, assim não tem quem vai reproduzir no próximo ano”, explicou o profissional.

Questionado sobre as mudanças necessárias, o profissional falou que os biólogos, os técnicos e principalmente os secretários de estado, que são responsáveis pelo meio ambiente, tem que deixar os gabinetes e fazer os Projetos de Leis, em cima de informações de quem convive e vive da natureza, neste caso, vai desde a preservação das águas dos rios, da vegetação nativa dos barrancos, até da diversidade dos peixes.

“Hoje nós temos um bom exemplo, como foi a proibição da pesca do Dourado, já possível ver a espécie em vários pontos do Pantanal, antes da proibição, era muito raro conseguir pescar um exemplar, assim como foi feito com o Dourado, o Pintado, Cachara e Pacu, também deveriam ter a proibição por no mínimo cinco anos, as pessoas que reclamarem agora, vão agradecer depois. Em contrapartida, a pesca esportiva na modalidade pesque e solte deveria ser incentivada o ano todo, para que o pescador tenha trabalho para sustentar a sua família”, ressaltou o profissional.

Problemas envolvendo o meio ambiente é o que não falta em Mato Grosso, vai desde os esgotos de CuiabáVárzea Grande e outras cidades que são jogados brutos noRio Cuiabá, como também, as dragas que tomam conta das margens, desde a região central da capital, até Santo Antônio de Leverger, que sem fiscalização estão desbarrancando e causando o assoreamento do rio. Outro problema são os lixos, que vai desde garrafas, sacolas, vasilhames de plásticos, até restos de eletrodomésticos são avistados descendo os rios e poluindo as margens.

Pantanal Mato-grossense é um dos principais biomas do mundo, detentor de espécies que só existem neste lugar, mesmo assim, mesmo tendo representantes políticos do Partido Verde, praticamente nada é feito para amenizar a degradação, já que os representantes do povo não tomam atitude, o povo vai ter que cobrar dos seus funcionários (políticos detentores de cargo público), ações para tentar salvar o Pantanal de Mato Grosso. – (Lauro Nazário)

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