Botelho X Maluf: tudo acertado, mas nada definido, vaga de Conselheiro cria “imbróglio” na política de Mato Grosso

Da Redação

Após Luiz Edson Fachin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) revogar a medida cautelar que impedia qualquer indicação, nomeação e posse no TCE, surgiram nos bastidores da política os nomes de 2 ou 3 possíveis candidatos.

Uma verdadeira batalha está sendo travada entre os deputados José Eduardo Botelhodo Partido Democrata (DEM), presidente da Assembleia Legislativa do Estado de Mato Grosso (AL/MT) e o tucano Guilherme Antônio Maluf, para definir o nome de que vai assumir a vaga de Conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso(TCE/MT).

Desde janeiro deste ano, quando começaram as negociações para a eleição da presidência da Mesa Diretora da Casa de Leis, que o cenário político envolvendo a Assembleia Legislativa e o Tribunal de Contas “pegou fogo”.

O que todo mundo espera é que prevaleça o bom senso.

Com a liberação da vaga de Conselheiro do cargo mais preferido entre os políticos, a doTribunal de Contas, que ficou aberta com a renúncia do ex-conselheiro Humberto de Mello Bosaipo a gente já sabe que a disputa entre oGoverno do Estado, a Assembleia Legislativae os tais Conselheiros Substitutos que lá estão, tem tudo para ser preenchida.

Humberto Bosaipo foi afastado em 2011 pelo próprio STJ por acusações de peculato e lavagem de dinheiro, por 34 vezes no período em que atuava como deputado estadual.

Ele foi investigado na “Operação Arca de Noé”, da Polícia Federal, juntamente com o ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro. Na época das investigações, descobriu-se diversos cheques emitidos pela Assembleia Legislativa a empresa Confiança Factoring, conduzida por Arcanjo. Ele também foi investigado na época por esquema de empréstimos fraudulentos e crimes financeiros na “Operação Ararath”.

Bosaipo foi nomeado conselheiro do TCE após indicação da Assembleia Legislativa de Mato Grosso em 2007, afastado desde 2011 por três vezes. No dia 9 de dezembro de 2014 ele renunciou ao cargo. Semanas depois, o ministro Ricardo Lewandowski, doSupremo Tribunal Federal, suspendeu o processo de indicação de um novo conselheiro na vaga.

A decisão atendeu a uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) em tramitação no Supremo Tribunal Federal (STF). Em março de 2017 a Assembleia Legislativa de Mato Grosso revogou os parágrafos contestados, e agora terá condições de estabelecer um rito para a indicação do substituto para a vaga.

“A vaga seria para Botelho, mas ele tinha preferido a presidência”

Segundo informações de bastidores, tanto o deputado Guilherme Maluf, quantoEduardo Botelho já apresentaram interesse em ocupar o cargo de presidente da Casa de Leis (AL), pelo que tudo indica, uma acordo de “cavalheiros”, de rodízio na cadeira de presidente, teria sido feito entre os dois parlamentares, que agora seria a vez deGuilherme Maluf voltar a presidir a Casa.

Com tudo acertado, mas nada definido, os interesses políticos futuros, de ambos, foi o caminho encontrado por personalidades da velha política, envolvendo Senador da Republica eleito Jayme Veríssimo de Campos, do Partido Democrata (DEM), e ex-presidente da Assembleia Legislativa de Mato GrossoJosé Geraldo Riva, para apaziguar os ânimos, e conseguir atender os interesses dos parlamentares, estaria tudo certo, Guilherme teria aceitado recuar da disputa pela presidência, em contrapartida, receberia indicação para a cadeira de conselheiro do TCE, seja ele, ou sua indicação, e apoio para a disputa da Prefeitura de Cuiabá, seja ele, ou um nome indicado pelo seu grupo. No papel, e nos apertos de mãos, tudo teria ficado acertado, até o presidente da casa, Eduardo Botelho decidiu mudar mais uma vez o roteiro.

De acordo com bastidores, Botelho teria se arrependido do acerto, já que a presidência é um cargo de apenas dois anos, e a eleição em Várzea Grande, é uma disputa que qualquer um pode sair derrotado, quem não se lembra da derrota do ex-governador Júlio José de Campos na “Cidade Industrial”, e o cargo de conselheiro do TCE é vitalício.

Em 1998, outra derrota de Júlio Campos, foi quando se aliou com o deputado federalCarlos Bezerra (MDB) para disputa eleitoral. À época, o então governador Dante de Oliveira (PSDB) derrotou Júlio Campos ao Paiaguás e o jornalista Antero Paes de Barros (PSDB) venceu o Senado em cima de Bezerra.

Assim, mesmo como presidente da Casa de Leis, e com o apoio firmado para a campanha eleitoral, Botelho também decidiu lutar pela vaga de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso.

Depois do acordo firmado e parte dele cumprido, agora mudar o roteiro vai ser meio complicado, nos corredores daAssembleia Legislativa, a informação que se tem, é que se Botelho não conseguir a vaga do Tribunal de Contas do Estado, não vai deixar a presidência da mesa, apenas para disputar as eleições em Várzea Grande, o que faz o parlamentar descumprir um acordo feito com dois cavalheiros, representantes da velha política, que tinham articulado e atendido o interesses de ambos.

Para quem achou que estava tudo certo, muito se enganou, assim, a corrida por novos apoios no Palácio Paiaguás é constante, já que a influência do governador Mauro Mendes Ferreira (DEM) pode fazer total diferença neste imbróglio.

O momento neste cenário é de ventos fortes, relâmpagos e trovoadas, a tempestade está armada, uma parte vai ser enganada, alguém vai se sentir traído e derrotado, resta saber, quem tem mais condições, quem está mais apto para assumir a cadeira de conselheiro e dar andamento nos seus projetos políticos para 2020.

Um paraíso terreno

Quem assumir a vaga de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso, vai viver em um verdadeiro “paraíso terreno“, isto porque a pessoas ou o parlamentar que for indicado, passara a ganhar um verdadeiro baú de joias, ouros, pratas e pedras preciosas, além de um foro privilegiado ate aos seus 75 anos de idade, quando poderá se aposentar.

Desde a escolha do jornalista e conselheiro afastado Sérgio Ricardo de Almeida, faz muito tempo que não acontece uma indicação para esta função em Mato Grosso, desde que foram reveladas as possíveis negociatas que teriam envolvido.

Com a disputa pela vaga no Tribunal de Contas do Estado, muita agua ainda vai rolar por debaixo da ponte até que se tenha decisão final.

O que se espera é que os políticos mato-grossenses tenham aprendido a lição e o dever de casa, ou vai acontecer o leilão novamente? – (Lauro Nazário) 

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